Et Al. é um livro que cruza existências, baralha-as e, afinal, tudo se resume a...um só ser, a uma só entidade que é muitas e, talvez, não seja até nenhuma. Por isso apresenta-nos uma visão caleidoscópica da realidade que nos rodeia, que nós conhecemos e sentimos, mas que não sabemos traduzir em palavras. O EU feminino fragmentado do narrador vai rodopiando e assumindo pontos de vista que o enriquecem e lhe permitem o distanciamento necessário para perceber o mundo e, sobretudo, para perdoar à vida a insensibilidade das suas agressões. Trata-se de um livro que penetra no âmago do ser humano e revela as verdades simples que poderiam permanecer ocultas para aqueles que se acomodam. "Durante muitos anos, fui contra a existência de um dia da mulher. Achava que era uma forma de acentuar a diferença que nunca quis ver, porque, sei-o agora, durante muitos anos, não senti. Sabia-o, mas era-me... distante. Todas as esposas, desde cedo, sabem a diferença entre ser-se o termo masculino e o termo feminino daquela equação. Todas as mães, a certa altura, sabem a diferença entre ser mãe e ser pai. Algumas sabem-no muito mais. Algumas inclusivamente, deixam de saber o que é ser pai, porque esse papel desaparece. E a sociedade (quem é?) aceita que esse papel se suma, mas condena que o outro lado se diminua. Ser mulher é ter de ser mais. É duro ser mais. Não o quero." Fátima Almeida
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